Antes de Ler



Há diários que são espelhos. Outros são labirintos. Este é um pouco dos dois.

Abrir Diários da Adolescência é como empurrar uma porta antiga: range, resiste um pouco… mas depois cede, e lá dentro está uma vida inteira à espera de ser revisitada. O leitor não encontrará aqui uma narrativa polida nem construída com a intenção de agradar. Encontrará algo mais raro — o registo cru de dias comuns, onde o extraordinário se esconde nos intervalos: nos silêncios, nos olhares, nas palavras que ficaram por dizer.

No início, a escrita surge quase como um gesto mecânico. Os dias alinham-se em sequência: “fui”, “vim”, “depois”, “logo”. Há uma pressa em relatar, mas não ainda em compreender. É a linguagem de quem vive antes de saber que um dia irá recordar. Pode parecer repetitiva, até pobre em reflexão — e é precisamente aí que reside a sua verdade. A adolescência nem sempre se explica; muitas vezes apenas acontece.

Mas, devagar, quase sem dar por isso, algo muda.

A escrita cresce. As frases alongam-se como quem ganha coragem. Começam a surgir fendas por onde espreitam emoções: um ciúme mal disfarçado, uma alegria inesperada, a inquietação de um amor que ainda não sabe o seu nome. O olhar torna-se mais atento, mais demorado. O que antes era rotina passa a ser matéria de dúvida. E é nesse ponto — subtil, mas decisivo — que o diário deixa de ser apenas relato e se transforma em espelho interior.

Ao longo das páginas, o leitor irá notar esse desabrochar. Não é linear nem constante. Há avanços e recuos, dias cheios e dias vazios, momentos de intensidade seguidos de um silêncio quase árido. Convém aceitar esse ritmo, como se aceita o pulsar irregular de um coração jovem. Ler este diário não é procurar acontecimentos grandiosos, mas aprender a escutar o que vibra por baixo deles.

Convém também ler nas entrelinhas. Muitas vezes, o que não é dito pesa mais do que o que foi escrito. Há emoções contidas, talvez por pudor, talvez por promessa, talvez por medo de as fixar no papel e lhes dar demasiada verdade. O leitor atento perceberá que esse silêncio não é ausência — é contenção.

Uma sugestão: não leia depressa. Este não é um livro para ser devorado, mas atravessado. Pare onde sentir necessidade. Volte atrás. Compare dias. Observe como pequenas repetições escondem grandes mudanças. E, sobretudo, permita-se reconhecer — em maior ou menor grau — ecos da sua própria juventude.

Porque, no fundo, este diário não fala apenas de quem o escreveu.

Fala de todos nós, quando ainda não sabíamos bem quem éramos… mas já sentíamos tudo como se fosse eterno.


Sobre Mim

 


Olá eu sou o António.

Escrevo como quem respira fundo.  

Desenho quando as palavras não bastam.  

Tradicionalista no gesto, pacifista no coração

acredito que a beleza está no detalhe, e o tempo é um aliado.

Neste espaço, partilho pedaços do que sou.  

Se quiser, pode ficar por aqui um bocado.


by Castro Dias


https://diarios-da-adolescencia.blogspot.com/

Entre e recue no tempo


Este blogue é um mergulho prolongado nas águas fundas da adolescência, esse território onde tudo arde, tudo pesa, tudo brilha e tudo dói.

Aqui se reconstroem dias, se escutam silêncios, se anotam medos e desejos como quem escreve à margem de um caderno secreto.

Ao longo de cerca de duas mil páginas — sim, duas mil! — poderá acompanhar a viagem de uma alma em formação, onde o amor, a solidão, a amizade, a raiva, a descoberta do corpo e da vida se entrelaçam como fios de uma tapeçaria viva.

É um diário, mas é também um romance. É um relato íntimo, mas universal.

É o registo cru e poético de um tempo em que o mundo parecia começar e acabar todos os dias — e às vezes várias vezes por dia.

Os "Diários da Adolescência" são a lapidação de um diamante em bruto. Contam uma história vivenciada na primeira pessoa há cinco décadas atrás e hoje na sua forma final assume a forma romanceada dessas mesmas vivências. 

Aqui encontrará:

  • o fervilhar das primeiras paixões;

  • o desassossego das escolhas e dos caminhos;

  • o riso absurdo das coisas pequenas;

  • a dor imensa das perdas invisíveis;

  • e a beleza terrível de crescer.

Este espaço não é apenas sobre o passado — é também sobre a coragem de o revisitar.

É para quem viveu, para quem ainda vive, e para quem já esqueceu como era viver com o coração à flor da pele.

Abra este diário. Leia devagar. Ouça a tua própria voz a ecoar por entre estas páginas. E se por acaso se perder… é porque já começou a recordar.


by Castro Dias


https://diarios-da-adolescencia.blogspot.com/

Diários da Adolescência


Um mergulho íntimo no turbilhão dos dias juvenis, 

onde o amor, a solidão e a descoberta 

se escrevem como se tudo fosse a primeira e última vez.

Um diário, um romance, uma viagem ao coração em crescimento.


by Castro Dias


https://diarios-da-adolescencia.blogspot.com/